Paróquia da Vergada

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Liturgias do 21º e 22º Domingo Ano C

Reflexões

21º Domingo do Tempo Comum - 22 de Agosto de 2010

A liturgia deste Domingo propõe-nos o tema da “salvação”.
Diz-nos que o acesso ao “Reino” – à vida plena, à felicidade total (“salvação”) – é um dom que Deus oferece a todos os homens e mulheres, sem excepção; mas, para lá chegar, é preciso renunciar a uma vida baseada nesses valores que nos tornam orgulhosos, egoístas, prepotentes, auto-suficientes,
e seguir Jesus no seu caminho de amor, de entrega, de dom da vida.primeira leitura, um profeta não identificado propõe-nos a visão da comunidade escatológica: será uma comunidade universal, à qual terão acesso todos os povos da terra, sem excepção.
Os próprios pagãos serão chamados a testemunhar a Boa Nova de Deus e serão convidados para o serviço de Deus, sem qualquer discriminação baseada na raça, na etnia ou na origem.Evangelho, Jesus – confrontado com uma pergunta acerca do número dos que se salvam – sugere que o banquete do “Reino” é para todos; no entanto, não há entradas garantidas, nem bilhetes reservados: é preciso fazer uma opção pela “porta estreita” e aceitar seguir Jesus no dom da vida e no amor total aos irmãos.segunda leitura parece, à primeira vista, apresentar um tema um tanto deslocado e marginal, em relação ao que nos é proposto pelas outras duas leituras; no entanto, as ideias propostas são uma outra forma de abordar a questão da “porta estreita”: o verdadeiro crente enfrenta com coragem os sofrimentos e provações, vê neles sinais do amor de Deus que, dessa forma, educa, corrige, mostra o sem sentido de certas opções e nos prepara para a vida nova do “Reino”.I – Is 66,18-21
Leitura do Livro de Isaías
Eis o que diz o Senhor:«Eu virei reunir todas as nações e todas as línguas,para que venham contemplar a minha glória.Eu lhes darei um sinale de entre eles enviarei sobreviventes às nações:a Társis, a Fut, a Luc, a Mosoc, a Rós, a Tubal e a Java,às ilhas remotas que não ouviram falar de Mimnem contemplaram ainda a minha glória,para que anunciem a minha glória entre as nações.De todas as nações, como oferenda ao Senhor,eles hão-de reconduzir todos os vossos irmãos,em cavalos, em carros, em liteiras,em mulas e em dromedários,até ao meu santo monte, em Jerusalém – diz o Senhor – como os filhos de Israel trazem a sua oblaçãoem vaso puro ao templo do Senhor.Também escolherei alguns deles para sacerdotes e levitas».

ACTUALIZAÇÃO
Considerar as seguintes linhas, para a reflexão:
¨ão é novidade nenhuma dizer que “ao novo Povo de Deus, todos os homens são chamados” (Concílio Vaticano II, Lumen Gentium 13).
No Povo de Deus não é decisivo nem a raça, nem o sexo, nem a posição social, nem a preparação intelectual, mas sim a adesão a Jesus e o compromisso com o projecto de salvação que o Pai oferece, em Jesus.
As nossas comunidades são, não só em teoria mas também na prática, espaços de igualdade e de fraternidade? Há algum tipo de discriminação na minha comunidade cristã, nomeadamente em relação a pessoas que se entende levarem vidas desregradas e moralmente fracassadas? Se há, que sentido é que isso faz?
¨sentido é que fazem, neste contexto, certas afirmações e atitudes de cristãos empenhados que reflectem, na prática, um entranhado racismo?
A xenofobia é consentânea com a vida de um crente?
Por exemplo, dizer que “Portugal é dos portugueses; os outros que voltem para a sua terra” é colaborar na construção dessa comunidade universal, que é o projecto de Deus?RESPONSORIAL – Salmo 116 (117)
Refrão: Ide por todo o mundo, anunciai a boa nova.
Louvai o Senhor, todas as nações,aclamai-O, todos os povos.
É firme a sua misericórdia para connosco,a fidelidade do Senhor permanece para sempre.II – Heb 12,5-7.11-13
Leitura da Epístola aos Hebreus
Irmãos:Já esquecestes a exortação que vos é dirigida,como a filhos que sois:«Meu filho, não desprezes a correcção do Senhor,nem desanimes quando Ele te repreende;porque o Senhor corrige aquele que amae castiga aquele que reconhece como filho».É para vossa correcção que sofreis.Deus trata-vos como filhos.Qual é o filho a quem o pai não corrige?Nenhuma correcção, quando se recebe,é considerada como motivo de alegria, mas de tristeza.Mais tarde, porém,dá àqueles que assim foram exercitadosum fruto de paz e de justiça.Por isso, levantai as vossas mãos fatigadase os vossos joelhos vacilantese dirigi os vossos passos por caminhos direitos,para que o coxo não se extravie,mas antes seja curado.– Jo 14,6
Aleluia. Aleluia.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor:ninguém vai ao Pai senão por Mim.– Lc 13,22-30
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,Jesus dirigia-Se para Jerusaléme ensinava nas cidades e aldeias por onde passava.Alguém Lhe perguntou:«Senhor, são poucos os que se salvam?»Ele respondeu:«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita,porque Eu vos digoque muitos tentarão entrar sem o conseguir.Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta,vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo:‘Abre-nos, senhor’;mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’.Então começareis a dizer:‘Comemos e bebemos contigoe tu ensinaste nas nossas praças’.Mas ele responderá:‘Repito que não sei donde sois.Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’.Aí haverá choro e ranger de dentes,quando virdes no reino de DeusAbraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas,e vós a serdes postos fora.Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul,e sentar-se-ão à mesa do reino de Deus.Há últimos que serão dos primeirose primeiros que serão dos últimos».
ACTUALIZAÇÃO
Para reflectir e partilhar, considerar os seguintes dados:
¨primeiro lugar, é preciso ter a consciência de que o “Reino” não está condicionado a qualquer lógica de sangue, de etnia, de classe, de ideologia política, de estatuto económico: é uma realidade que Deus oferece gratuitamente a todos; basta que se acolha essa oferta de salvação, se adira a Jesus e se aceite entrar pela “porta estreita”. Tenho consciência de que a comunidade de Jesus é a comunidade onde todos cabem e onde ninguém é excluído e marginalizado?
¨“Entrar pela porta estreita” significa, na lógica de Jesus, fazer-se pequeno, simples, humilde, servidor, capaz de amar os outros até ao extremo e de fazer da vida um dom. Por outras palavras: significa seguir Jesus no seu exemplo de amor e de entrega. Quando Tiago e João pretenderam reivindicar lugares privilegiados no “Reino”, Jesus apressou-Se a dizer-lhes que era necessário primeiro partilhar o destino de Jesus e fazer da vida um dom (“beber o cálice”) e um serviço (“o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida”). Jesus é, portanto, o modelo de todos os que querem “entrar pela porta estreita”. É o seu exemplo que é proposto a todos os discípulos.
¨á constatámos todos que esta “porta estreita” não é, hoje, muito popular. A este propósito, os homens de hoje têm perspectivas bem diferentes de Jesus… A felicidade, a vida plena encontra-se, para muitos dos nossos contemporâneos, no poder, no êxito, na exposição social, nos cinco minutos de fama que a televisão proporciona, no dinheiro (afinal, o novo deus que move o mundo, que manipula as consciências e que define quem tem ou não êxito, quem é ou não feliz). Como nos situamos face a isto? As nossas opções vão mais vezes na linha da “porta larga” do mundo, ou da “porta estreita” de Jesus?
¨É preciso ter consciência de que o acesso ao “Reino” não é, nunca, uma conquista definitiva, mas algo que Deus nos oferece cada dia e que, cada dia, nós aceitamos ou rejeitamos. Ninguém tem automaticamente garantido, por decreto, o acesso ao “Reino”, de forma que possa, a partir de uma certa altura, ter comportamentos pouco consentâneos com os valores do “Reino”. O acesso à salvação é algo a que se responde – positiva ou negativamente – todos os dias e que nunca é um dado totalmente seguro e adquirido.
¨nós, assumidamente cristãos, onde está a salvação? Jesus dizia que, no banquete do “Reino”, muitos apareceriam a dizer: “comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças”; mas receberiam como resposta: “não sei de onde sois; afastai-vos de mim todos os que praticais a iniquidade”. Este aviso toca de forma especial aqueles que conheceram bem Jesus, que se sentaram com Ele à mesa (da Eucaristia), que escutaram as suas palavras, que fizeram parte do conselho pastoral da paróquia, que foram fiéis guardiães das chaves da igreja ou dos cheques da conta bancária paroquial, que até, se calhar, se sentaram em tronos episcopais ou papais… mas que nunca se preocuparam em entrar pela “porta estreita” do serviço, da simplicidade, do amor, do dom da vida. Esses – Jesus é perfeitamente claro e objectivo – não terão lugar no “Reino”.

À ESCUTA DA PALAVRA.Eis uma questão que fez correr muita tinta ao longo da história da Igreja: “Senhor, são poucos os que se salvam?” Uma corrente como o jansenismo – que não é só do passado! – acreditava no pequeno número dos eleitos.
Poderíamos encontrar sem dificuldade outros exemplos desta tentação.
Sem dúvida, outras palavras de Jesus parecem ir no mesmo sentido: as que falam do largo e espaçoso caminho que leva à perdição, em que muitos se comprometem; as que falam da porta estreita que leva à Vida, em que poucos a encontram. Mas, em contraponto, Jesus declarou aos seus apóstolos: “Na casa de meu Pai, há muitas moradas”.
Notemos, primeiro, que São Lucas escreve o seu Evangelho quando os cristãos são já perseguidos e as tensões se tornam cada vez mais vivas entre as comunidades cristãs e o judaísmo. A ruptura não está longe de ser dolorosamente consumada.
O evangelista recorda-se aqui de um aspecto em que Jesus quer despertar a atenção dos seus compatriotas. Abraão, Isaac e Jacob e todos os profetas souberam escutar a palavra de Deus. Os seus longínquos descendentes fecham-se à palavra de Deus. Jesus não responde à questão do seu ouvinte sobre o número dos eleitos. Mas alarga o debate. É preciso dar um salto na fé para O escutar, ter n’Ele confiança. Isto, certamente, não é fácil, porque o caminho que Jesus deverá percorrer vai conduzi-l’O à cruz e os seus discípulos deverão tomar, por seu vez, esse caminho para ter lugar no festim do reino de Deus. Jesus vê, então, a multidão dos pagãos que acolherão a sua palavra, que virão “do oriente e do ocidente, do norte e do sul”. A sua mensagem ultrapassa todas as fronteiras, a salvação não é reservada apenas a um só povo, mesmo sendo o da primeira Aliança. “Os primeiros que serão os últimos” são os contemporâneos de Jesus que recusam escutá-l’O. “Os últimos que serão os primeiros” são o povo da Nova Aliança selada no seu sangue. Então, a palavra de Jesus atinge-nos, ainda hoje. Não tenhamos a pretensão de acreditar que, por sermos cristãos, teremos “direito” à salvação. Jesus é o Salvador de todos os homens. Haverá muitas surpresas “do outro lado”!

(do www.ecclesia.pt)


22º Domingo do Tempo Comum 29 de Agosto de 2010

A liturgia deste Domingo propõe-nos uma reflexão sobre alguns valores que acompanham o desafio do “Reino”:
a humildade,
a gratuidade,
o amor desinteressado. O Evangelho coloca-nos no ambiente de um banquete em casa de um fariseu. O enquadramento é o pretexto para Jesus falar do “banquete do Reino”. A todos os que quiserem participar desse “banquete”, Ele recomenda a humildade; ao mesmo tempo, denuncia a atitude daqueles que conduzem as suas vidas numa lógica de ambição, de luta pelo poder e pelo reconhecimento, de superioridade em relação aos outros… Jesus sugere, também, que para o “banquete do Reino” todos os homens são convidados; e que a gratuidade e o amor desinteressado devem caracterizar as relações estabelecidas entre todos os participantes do “banquete”.primeira leitura, um sábio dos inícios do séc. II a.C. aconselha a humildade como caminho para ser agradável a Deus e aos homens, para ter êxito e ser feliz. É a reiteração da mensagem fundamental que a Palavra de Deus hoje nos apresenta.segunda leitura convida os crentes instalados numa fé cómoda e sem grandes exigências, a redescobrir a novidade e a exigência do cristianismo; insiste em que o encontro com Deus é uma experiência de comunhão, de proximidade, de amor, de intimidade, que dá sentido à caminhada do cristão. Aparentemente, esta questão não tem muito a ver com o tema principal da liturgia deste domingo; no entanto, podemos ligar a reflexão desta leitura com o tema central da liturgia de hoje – a humildade, a gratuidade, o amor desinteressado – através do tema da exigência: a vida cristã – essa vida que brota do encontro com o amor de Deus – é uma vida que exige de nós determinados valores e atitudes, entre os quais avultam a humildade, a simplicidade, o amor que se faz dom.I – Sir 3,19-21.30-31
Leitura do Livro do Ben-Sirá
Filho, em todas as tuas obras procede com humildadee serás mais estimado do que o homem generoso.Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-tee encontrarás graça diante do Senhor.Porque é grande o poder do Senhore os humildes cantam a sua glória.A desgraça do soberbo não tem cura,porque a árvore da maldade criou nele raízes.O coração do sábio compreende as máximas do sábioe o ouvido atento alegra-se com a sabedoria.
ACTUALIZAÇÃO
Para a reflexão e partilha, considerar os seguintes dados:
¨humilde significa assumir com simplicidade o nosso lugar, pôr a render os nossos talentos, mas sem nunca humilhar os outros ou esmagá-los com a nossa superioridade. Significa pôr os próprios dons ao serviço de todos, com simplicidade e com amor. Quando somos capazes de assumir, com simplicidade e desprendimento, o nosso papel, todos reconhecem o nosso contributo, aceitam-nos, talvez nos admirem e nos amem… É aí que está a “sabedoria”, quer dizer, o segredo do êxito e da felicidade.
¨soberbo significa que “a árvore da maldade criou raízes” no homem. O homem que se deixa dominar pelo orgulho torna-se egoísta, injusto, auto-suficiente e despreza os outros. Deixa de precisar de Deus e dos outros homens; olha todos com superioridade e pratica, com frequência, gestos de prepotência que o tornam temido, mas nunca admirado ou amado. Vive à parte, num egoísmo vazio e estéril. Embora seja conhecido e apareça nas colunas sociais, está condenado ao fracasso. É o “anti-sábio”.
¨É preciso que os dons que possuímos não nos subam à cabeça, não nos levem a poses ridículas de orgulho, de superioridade, de desprezo pelos nossos irmãos. É preciso reconhecer, com simplicidade, que tudo o que somos e temos é um dom de Deus e que as nossas qualidades não dependem dos nossos méritos, mas do amor de Deus.REPONSORIAL – Salmo 67 (68)
Refrão:vossa bondade, Senhor,uma casa para o pobre.
Os justos alegram-se na presença de Deus,exultam e transbordam de alegria.Cantai a Deus, entoai um cântico ao seu nome;o seu nome é Senhor: exultai na sua presença.
Pai dos órfãos e defensor das viúvas,é Deus na sua morada santa.Aos abandonados Deus prepara uma casa,conduz os cativos à liberdade.
Derramastes, ó Deus, uma chuva de bênçãos,restaurastes a vossa herança enfraquecida.A vossa grei estabeleceu-se numa terraque a vossa bondade, ó Deus, preparara ao oprimido.II – Heb 12,18-19.22-24a
Leitura da Epístola aos Hebreus
Irmãos:Vós não vos aproximastes de uma realidade sensível,como os israelitas no monte Sinai:o fogo ardente, a nuvem escura,as trevas densas ou a tempestade,o som da trombeta e aquela voz tão retumbanteque os ouvintes suplicaram que não lhes falasse mais.Vós aproximastes-vos do monte Sião,da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste,de muitos milhares de Anjos em reunião festiva,de uma assembleia de primogénitos inscritos no Céu,de Deus, juiz do universo,dos espíritos dos justos que atingiram a perfeiçãoe de Jesus, mediador da nova aliança.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão e a actualização podem fazer-se a partir das seguintes linhas:
¨questão fundamental deste texto e do ambiente que o enquadra é propor-nos uma redescoberta da nossa fé e do sentido das nossas opções, a fim de superarmos a instalação, o comodismo e a preguiça que nos levam, tantas vezes, a uma caminhada cristã morna, sem exigências, sem compromissos, que facilmente cede e recua quando aparecem as dificuldades e os desafios…
¨intimou-nos a superar a perspectiva de um Deus terrível, opressor, vingativo, de Quem o homem se aproxima com medo; em seu lugar, Ele apresentou-nos a religião de um Deus que é Pai, que nos ama, que nos convoca para a comunhão com Ele e com os irmãos e que insiste em associar-nos como “filhos” à sua família. Tenho consciência de que este é o verdadeiro rosto de Deus e que o Deus terrível, de quem o homem não se pode aproximar, é uma invenção dos homens?– Mt 11,29ab
Aleluia. Aleluia.
Tomai o meu jugo sobre vós, diz o Senhor,e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração.– Lc 14,1.7-14
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,Jesus entrou, a um sábado,em casa de um dos principais fariseuspara tomar uma refeição.Todos O observavam.Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares,Jesus disse-lhes esta parábola:«Quando fores convidado para um banquete nupcial,não tomes o primeiro lugar.Pode acontecer que tenha sido convidadoalguém mais importante que tu;então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer:‘Dá o lugar a este’;e ficarás depois envergonhado,se tiveres de ocupar o último lugar.Por isso, quando fores convidado,vai sentar-te no último lugar;e quando vier aquele que te convidou, dirá:‘Amigo, sobre mais para cima’;ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados.Quem se exalta será humilhadoe quem se humilha será exaltado».Jesus disse ainda a quem O tinha convidado:«Quando ofereceres um almoço ou um jantar,não convides os teus amigos nem os teus irmãos,nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos,não seja que eles por sua vez te convideme assim serás retribuído.Mas quando ofereceres um banquete,convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te:ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.
ACTUALIZAÇÃO
Para a reflexão, considerar as seguintes linhas:
¨nossa sociedade, agressiva e competitiva, o valor da pessoa mede-se pela sua capacidade de se impor, de ter êxito, de triunfar, de ser o melhor… Quem tem valor é quem consegue ser presidente do conselho de administração da empresa aos trinta e cinco anos, ou o empregado com mais índices de venda, ou o condutor que, na estrada, põe em risco a sua vida, mas chega uns segundos à frente dos outros… Todos os outros são vencidos, incapazes, fracos, olhados com comiseração. Vale a pena gastar a vida assim? Estes podem ser os objectivos supremos, que dão sentido verdadeiro à vida do homem?
¨Igreja, fruto do “Reino”, deve ser essa comunidade onde se torna realidade a lógica do “Reino” e onde se cultivam a humildade, a simplicidade, o amor gratuito e desinteressado. É-o, de facto?
¨por vezes, a uma corrida desenfreada na comunidade cristã pelos primeiros lugares. É uma luta – para alguns de vida ou de morte – em que se recorre a todos os meios: a intriga, a exibição, a defesa feroz do lugar conquistado, a humilhação de quem faz sombra ou incomoda… Para Jesus, as coisas são bastante claras: esta lógica não tem nada a ver com a lógica do “Reino”; quem prefere esquemas de superioridade, de prepotência, de humilhação dos outros, de ambição, de orgulho, está a impedir a chegada do “Reino”. Atenção: isto talvez não se aplique só àquela pessoa da nossa comunidade que detestamos e cujo nome nos apetece dizer sempre que ouvimos falar em gente que só gosta de mandar e se considera superior aos outros; isto talvez se aplique também em maior ou menor grau, a mim próprio.
¨ém há, na comunidade cristã, pessoas cuja ambição se sobrepõe à vontade de servir… Aquilo que os motiva e estimula são os títulos honoríficos, as honras, as homenagens, os lugares privilegiados, as “púrpuras”, e não o serviço humilde e o amor desinteressado. Esta será uma atitude consentânea com a pertença ao “Reino”?
¨claro, na catequese que Lucas hoje nos propõe, que o tipo de relações que unem os membros da comunidade de Jesus não se baseia em “critérios comerciais” (interesses, negociatas, intercâmbio de favores), mas sim no amor gratuito e desinteressado. Só dessa forma todos – inclusive os pobres, os humildes, aqueles que não têm poder nem dinheiro para retribuir os favores – aí terão lugar, numa verdadeira comunidade de amor e de fraternidade.
¨cegos e coxos representam, no Evangelho que hoje nos é proposto, todos aqueles que a religião oficial excluía da comunidade da salvação; apesar disso, Jesus diz que esses devem ser os primeiros convidados do “banquete do Reino”. Como é que os pecadores notórios, os marginais, os divorciados, os homossexuais, as prostitutas são acolhidos na Igreja de Jesus?

(do
www.ecclesia.pt)




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